Escolho escrever
Fora o calendário gregoriano, tenho estudado e acompanhado o Cholq’ij.
Também conhecido como Tzolk’in, o Cholq’ij é um calendário sagrado, desenvolvido há milênios pelos povos mesoamericanos. Um calendário que é ainda usado por mayas, principalmente na Guatemala.
Nesse calendário, de 260 dias, cada dia tem a sua própria energia.
e você pode descobrir a sua, com a sua data de nascimento.
É como se cada dia fosse guiado por um espírito, uma força, e ao nascer você estivesse ali sob aquela influência.
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Então, nesse calendário, você faz aniversário a cada 260 dias.
E hoje é o meu, 5 Tijax.
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Engraçado que também foi meu aniversário no calendário gregoriano há 6 dias atrás.
E eu fiz planos pra esse dia. O que eu queria comer, aonde eu queria ir, com quem eu queria estar, o que eu queria fazer. Parte de mim sentia aquelas 24h como únicas, mesmo sendo apenas uma linha imaginária no tempo, eu queria aproveitar da melhor forma que fosse possível.
Hoje, novamente, é meu aniversário, em outro calendário.
Na forma mais sagrada de medir o tempo.
E eu não fiz planos.
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Me peguei me culpando pelas coisas que estão em processo, terminar a pintura do escritório, dar sequência nos trabalhos, pagar o IPVA, lavar roupas, antes que acumulem, descer com a Jojô.
No meu aniversário, no calendário gregoriano eu tinha uma meta: aproveitar o dia.
Parte dos planos deram errado, e mesmo tendo passado uma parte do meu dia comprando lâmpada e tinta no centro da cidade, eu estava com esse sentimento maravilhoso de estar aproveitando o tempo.
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Sei que a felicidade enquanto intenção é inconstante. Pode até mesmo ser falsa.
(Apesar de que, se mordemos uma caneta na boca na horizontal, formando um sorriso, nosso cérebro é ingênuo o suficiente pra acreditar que estamos felizes).
A felicidade, se a desejamos, não a temos.
Porque só desejamos aquilo que nos falta.
Fui feliz no meu aniversário não só porque determinei que seria um dia alegre, mas porque foi um dia em que eu estava genuinamente consciente do tempo.
Eu estava aberta, eu estava em estado de celebração.
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Coisas que percebo:
Ser feliz é muito mais sobre reduzir do que sobre acrescentar.
Todos os dias devem ser igualmente celebrados como únicos.
A nossa abertura ao tempo, em boa vontade de aproveitar o dia, faz o dia ser alegre.
Só existe ser feliz agora.
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Tenho sentido muito esse chamado do agora.
Menos listas longas e detalhadas.
Menos preocupações imaginárias.
Mais mão no que quero ver brotar.
Mais fé.
Mais celebração.
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Hoje escolho celebrar esse espaço livre.
Envio essa carta pra te convidar a celebrar a sua vida.
Faça um acordo com seus desejos.
Abra espaço pro universo sonhar com você.


Saber da existência desse calendário me ajudou a relaxar um pouco e baixar a ansiedade desse inicio de ano. Mesmo sabendo que não preciso ficar ansiosa (acredito na sabedoria milenar), a mente reptiliana me sequestra às vezes. E por isso foi bom pensar na perspectiva dos 260 dias.